“Não sou o que escrevo, sou o que tu sentes ao ler-me...”

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Amanhecer.


(…)    

                - Lindo – comentei erguendo também os olhos para a lua.
                - É verdade – concordou ele, pouco impressionado. Depois virou-se lentamente para mim; o movimento provocou um leve ondular, que se esbateu no meu corpo. Os seus olhos pareciam prata, num rosto cor de gelo. Edward virou a mão para entrelaçar os nossos dedos abaixo da superfície da água. Ela estava suficientemente quente para o contacto com a pele gelada não arrepiar a minha.
                - Discordo apenas da palavra lindo – acrescentou. - Não é ajustada, estando tu aqui como termo de comparação.
                Esbocei um breve sorriso e ergui a outra mão – não deixara de tremer –  para  a pousar em cima do seu coração.  Branco sobre branco; pela primeira vez éramos semelhantes. O meu calor fê-lo estremecer ligeiramente e percebi que a sua respiração se tinha alterado.
                - Eu prometi que íamos tentar – murmurou, subitamente tenso. Se… se fizer alguma coisa errada, se te magoar, tens de me dizer de imediato.
                Concordei com um aceno de cabeça solene, sem deixar de o fitar. Avancei mais um pouco pela água e encostei-lhe a cabeça ao peito.
                - Não tenhas medo – murmurei. – Pertencemos um ao outro.
                De repente, senti-me esmagada pela realidade das minhas próprias palavras. O momento era tão perfeito e verdadeiro que não havia forma de o negar.
                Os braços dele rodearam-me, apertando-me contra si, Verão e Inverno. Uma corrente eléctrica pareceu percorrer cada extremidade dos meus nervos.
                - Para sempre – confirmou ele e depois impeliu-nos suavemente para as águas mais profundas.
(…)

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