(…)
- Lindo – comentei erguendo também os olhos para a lua.
- É verdade – concordou ele, pouco impressionado. Depois virou-se lentamente para mim; o movimento provocou um leve ondular, que se esbateu no meu corpo. Os seus olhos pareciam prata, num rosto cor de gelo. Edward virou a mão para entrelaçar os nossos dedos abaixo da superfície da água. Ela estava suficientemente quente para o contacto com a pele gelada não arrepiar a minha.
- Discordo apenas da palavra lindo – acrescentou. - Não é ajustada, estando tu aqui como termo de comparação.
Esbocei um breve sorriso e ergui a outra mão – não deixara de tremer – para a pousar em cima do seu coração. Branco sobre branco; pela primeira vez éramos semelhantes. O meu calor fê-lo estremecer ligeiramente e percebi que a sua respiração se tinha alterado.
- Eu prometi que íamos tentar – murmurou, subitamente tenso. Se… se fizer alguma coisa errada, se te magoar, tens de me dizer de imediato.
Concordei com um aceno de cabeça solene, sem deixar de o fitar. Avancei mais um pouco pela água e encostei-lhe a cabeça ao peito.
- Não tenhas medo – murmurei. – Pertencemos um ao outro.
De repente, senti-me esmagada pela realidade das minhas próprias palavras. O momento era tão perfeito e verdadeiro que não havia forma de o negar.
Os braços dele rodearam-me, apertando-me contra si, Verão e Inverno. Uma corrente eléctrica pareceu percorrer cada extremidade dos meus nervos.
- Para sempre – confirmou ele e depois impeliu-nos suavemente para as águas mais profundas.
(…)
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